quarta-feira, 10 de junho de 2009

Folhas - Letras & outros ofícios nº 12



EM MEMÓRIA DE ANDRÉS QUINTANILLA BUEY




Morreste-nos. A todos.
No entanto, nasce um sol cada manhã,
Como dizias, e é justo,
A quem, como tu, a caminhar ficaste caminho
No caminho das tuas palavras,
Quem sabe, na margem de novas primaveras.

Confesso poeta metade terra, metade nuvem,
Inspiração e força buscando a paz
Nas duas eternas margens:
Que nos escutes ainda,
Nos aconselhes ainda,
Aglutines em torno da eterna poesia
Que sempre cultivaste,
Esse amor do canto que deixaste
Plasmado em tantas partes onde andaste.

Morreste-nos, amigo,
A todos nós.
À tua mulher e ao teu filho.
A “Juan de Baños”, o grupo, e ao “Sarmiento”,
À “Academia” e aos “Viernes” e à tua terra que cantaste,
E ainda ao “Grupo Poético de Aveiro”
Cujos trabalhos inspiraste.

Morreste-nos.
Seguiste o teu destino conquistado aos
Homens todos que tocaste além das palavras luminosas.
Ficaste farol do outro lado do tempo,
Voltado à praça dos cegos,
No jardim dos poetas,
Cheio de pombas e flores brancas e verdes.

Mas morreste-nos, amigo.
Morreste-nos.
A todos!



António Luís Oliveira



(Poema lido em Valladolid, em Outubro de 2008, na homenagem ali realizada pelo Grupo Literario e Artistico Sarmiento e pela Academia Castellana y Leonesa de la Poesia, de que o poeta foi mentor e Presidente)

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