quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mil Pátrias Num Só Poema - Lurdes Breda



Mil Pátrias Num Só Poema

O Sol beijava, ao longe, o mar,
As fachadas dos prédios
E as asas das gaivotas, que passavam.
Percorria as ruas e as avenidas...
Enchia de luz o ventre da tarde
E as pétalas das flores, nas varandas.
Algures, na cidade com veias de água,
O grito do poeta soou…

Eram mil vozes a uma só voz,
Mil pátrias num só poema!

As palavras nasciam, livres…
Não tinham mordaça!
Corriam pelas salas, corredores,
Fugiam pelas janelas e portas fechadas,
Não tinham fronteiras!
Misturavam as letras, as línguas,
Eram irmãs de um mesmo destino,
Abraçavam-se, davam as mãos!

Eram mil vozes a uma só voz,
Mil pátrias num só poema!

À noite, por entre brindes
E bocas cheias de riso,
A poesia cantou e dançou,
Sem pudor, nem diferenças.
Saiu para as vielas estreitas
E voou, no fumo de um cigarro,
Até alcançar as estrelas,
Com uma mão-cheia de sonhos!

Eram mil vozes a uma só voz,
Mil pátrias num só poema!

Lurdes Breda


1 comentário:

Javier disse...

Hermosísimo, Lurdes. Nunca dejes de regalarnos tanta belleza.